quinta-feira, 29 de maio de 2014

E Rosalba?

Por: Vicente Serejo

Qual o maior obstáculo da candidatura Rosalba Ciarlini: a luta jurídica no caso de ficar ilegível em razão da condenação de Cláudia Regina, onde também é ré; o pedido de impeachment a ser julgado pela Assembléia; ou a derrota na convenção dos Democratas diante da força do senador José Agripino, presidente nacional do partido, hoje disposto a vencê-la cumprindo uma tarefa imposta pelo PMDB para aceitar a aliança na proporcional e resguardar o mandato do deputado federal Felipe Maia, filho?

Para quem ouve as fontes, com isenção, o único medo é de uma decisão jurídica e de caráter inapelável. O que vem depois, pedido de impeachment e maioria na convenção, são obstáculos que não assustam ao grupo da governadora. Fonte do gabinete civil assegura que os convencionais estão sendo ouvidos, um a um, e até agora, pelos interesses políticos no interior, não se esboça qualquer quadro de derrota, mesmo que não se possa duvidar da liderança do senador Agripino junto aos seus seguidores.

Mas, como nenhuma posição – principalmente em governo que enfrenta desgaste considerável – é inabalável, há interpretações que sustentam a derrota rosalbista na convenção a partir de sinais que seriam anteriores a qualquer tipo de crise. O governo – principalmente o marido e chefe da Casa Civil, o ex-deputado Carlos Augusto Rosado – é acusado de isolar o governo depois de posse, afastando seus correligionários, aqueles que lutaram desde a eleição do Senado até vê-la assumir o governo em 2011.

Fechada esta janela abre-se outra e na mesma intensidade de visão: se não tem chances nem é o desejo, como explicar a preocupação do governo em aplicar pesquisas nas diversas regiões do Estado para avaliação do seu desempenho? E, se aplica e há sintomas de melhora, como não publica mantendo a expectativa de uma desaprovação elevada? Fechado em si mesmo e sem praticamente correligionário a fazer a defesa de sua imagem, o governo optou por jogar sozinho e sozinho apostar numa estratégia.

Mas, mesmo fechado, há sinais de mudança no estilo. Vem negociando, uma a uma, com todas as categorias sindicalizadas ou não, eliminando dívidas acumuladas em razão dos aumentos negados do início do governo, até hoje. Aliás, algumas dessas negociações se estendem até além de 2015, como o caso da Polícia Militar. Com isso represa a maior arte da despesa para o futuro governo, a exemplo do que afirma ter herdado ao assumir: encontrou dez planos de cargos, carreiras e salários aprovados.

Há uma ação política diferente que emana do gabinete da governadora Rosalba Ciarlini nessas últimas semanas, reconhecem as fontes governistas e até não governistas. Resta saber se os governistas acreditam numa recuperação de sua imagem para disputar, de fato, o governo; ou se bastaria impor o segundo turno trazendo ônus para a campanha lançando a todos eles – Henrique, Garibaldi, Agripino e João Maia – como os traidores, pintando a presença de Wilma como a prova material da traição. Será?

Fonte: www.jornaldehoje.com.br

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